Paty Fonte fala sobre amizade na escola

Banco de imagens do CanvaPro
Banco de imagens do CanvaPro
Listen to this article

Quais são as suas lembranças felizes do tempo de estudante? A maioria das pessoas responde essa pergunta citando amigos de infância ou professores inspiradores. A escola é um ambiente vivo, é muito mais do que um espaço de transmissão de conhecimento, é um verdadeiro laboratório de relações humanas.  

É na escola que aprendemos a respeitar as diferenças e lidar com elas,  a resolver conflitos e a construir laços duradouros. Em um mundo cada vez mais conectado, as habilidades socioemocionais, como empatia, comunicação, solidariedade e trabalho em equipe, tornaram-se extremamente valiosas. E é na escola que essas competências começam a ser desenvolvidas.

Ao promover a interação entre os alunos, a escola cria um ambiente propício ao desenvolvimento  dessas habilidades, preparando crianças e jovens para serem cidadãos mais conscientes e engajados.

Pesquisas mostram que a qualidade das relações de amizade na escola está diretamente relacionada ao desenvolvimento da autoestima, da empatia e da resiliência emocional. Alunos que possuem boas amizades tendem a apresentar menores índices de depressão e ansiedade, além de um maior engajamento nas atividades escolares.

Todavia, o que vemos? Em grande parte das escolas brasileiras ainda há uma predominância na simples transmissão de conteúdos, uma valorização do erro como algo negativo e um grande estímulo à competição. Casos de bullying e violência são tratados como algo irrelevante e crescem os índices de crianças e jovens com problemas emocionais e psíquicos.

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) mostram que, apesar de haver progressos em algumas áreas, o Brasil ainda apresenta um desempenho abaixo da média em habilidades como resolução de problemas, pensamento crítico e colaboração, que estão diretamente relacionadas às habilidades socioemocionais.

Estudos nacionais e internacionais apontam para um aumento significativo dos casos de bullying e violência nas escolas. O impacto dessas práticas vai além do sofrimento individual, afetando o clima escolar, o desempenho acadêmico e a saúde mental dos estudantes.

Os problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes têm se intensificado nos últimos anos. Fatores como a pressão por resultados, a exposição constante às redes sociais e a falta de suporte emocional contribuem para o aumento de casos de ansiedade, depressão e outros transtornos.

O que podemos fazer? De nada adianta comemorar o Dia da Amizade e não buscar soluções amigáveis nas diversas relações existentes no dia a dia escolar.

Criar um ambiente escolar positivo e acolhedor, onde os estudantes se sentem emocionalmente seguros, perpassa pela formação inicial e continuada dos professores. É fundamental que os educadores sejam capacitados para lidar com as questões socioemocionais dos alunos e para implementar práticas pedagógicas inovadoras.

Dados do relatório da UNESCO indicam que escolas que implementam programas de mediação de conflitos e educação socioemocional registram uma redução significativa nas ocorrências de bullying e violência.

Assim sendo, é urgente que as escolas implementem projetos e atividades voltadas para a construção de um ambiente mais pacífico, solidário, amigável e cooperativo, como “Círculos de Paz” e “Roda de Conversa”.

As Artes também têm sido utilizadas com sucesso para promover vínculos afetivos e potencializar habilidades socioemocionais. As atividades artísticas permitem que os alunos explorem e expressem suas emoções de maneira segura e criativa, fortalecendo seus vínculos afetivos. As Artes têm o poder de criar um espaço inclusivo onde diferentes culturas, backgrounds e perspectivas podem se encontrar e se expressar.

A cultura da escola desempenha um papel crucial, aquelas que cultivam um ambiente inclusivo, onde os valores de respeito, solidariedade e cooperação são enfatizados, têm alunos que desenvolvem melhores habilidades sociais e emocionais. Essas escolas geralmente implementam políticas e práticas que incentivam a participação ativa dos alunos em decisões escolares, promovem a diversidade e celebram as conquistas individuais e coletivas.

Com tudo isso nos resta escolher entre comemorar o dia da amizade de forma rasa ou pautar esta e todas as demais comemorações em projetos que visam a formação de indivíduos mais equilibrados, empáticos e preparados para os desafios da vida.

A mudança começa conosco, com cada um de nós assumindo o compromisso de construir um futuro mais justo e humano.

Cada sorriso, abraço, escuta ativa, olhar sensível, cada palavra de apoio, cada ação consciente e humanizadora na escola faz a diferença.

É desafiador, porém possível, transformar a escola em um lugar onde todos se sintam parte e possam alcançar seu pleno potencial, sem luta de egos, mas de mãos dadas.

Paty Fonte – Consultora Educacional, Filósofa, Palestrante e Conferencista. Especialista em Pedagogia de Projetos, Pedagogia das Infâncias e Pedagogia do Brincar. Pós-graduada em Alfabetização e Letramento. Pesquisadora das Competências e Habilidades Socioemocionais na Escola. Mais de 30 anos de experiência na área de Educação. Roteirista e Apresentadora do ‘PodBrincar’. Roteirista Teatral. Escritora com vários livros publicados. Colunista de revistas didáticas e paradidáticas.

Contatos: IG: @professorapatyfonte

Please follow and like us:
0
fb-share-icon0
Tweet 0
Pin Share20
Sobre Redação 90 Artigos
Redação do Jornal Atípico

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*