Um projeto além-mar: conheça Luciana Costa Oliveira do Desafio Minha Voz

Conversas ao longo do Atlântico: o convite para o Projeto “Desafio Minha Voz”


No dia 9 de setembro de 2024, aceitei um novo desafio que ressoou profundamente com minha trajetória e valores. Fui convidada pela advogada Dra. Valdiléia Marinho para integrar o “Projeto Desafio Minha Voz”, uma iniciativa que visa amplificar as vozes de mulheres em diversas áreas da sociedade, oferecendo um espaço para que elas compartilhem suas histórias, lutas e conquistas.


Sempre comprometida com a causa da mulher e com a busca por igualdade, senti que esse convite era mais do que uma oportunidade profissional; era uma missão. Participar deste projeto representava não só uma forma de devolver à sociedade tudo o que aprendi e conquistei, mas também de apoiar outras mulheres que, como eu, enfrentaram desafios e triunfaram.


O “Projeto Desafio Minha Voz” oferece às mulheres um espaço para expressar suas experiências, incentivando o empoderamento feminino e a luta por direitos. Para mim, essa era uma chance de utilizar minha expertise na área Imobiliário e minha vivência pessoal para inspirar outras mulheres a buscarem sua independência e força.


Sabia que essa nova jornada exigiria dedicação e coragem, mas era exatamente isso que me movia. O desafio de integrar o “Projeto Desafio Minha Voz” me impulsionava a continuar minha luta por uma sociedade mais justa e igualitária para todas as mulheres.


Recomeços Além-Mar: O Sonho de morar na Europa

O sonho de morar na Europa surgiu no início do meu casamento, quando visitei Portugal em 2009. Foram anos de planejamento, mas só aos 46 anos, após concluir  a graduação em Direito, passar no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil e formalizar a sociedade de advogados,  Deus permitiu que esse sonho pudesse ser realizado.


Eu e meu esposo decidimos dar um passo corajoso: deixar o Rio de Janeiro, onde construímos nossa vida e carreira, e nos mudarmos para a Europa, em Portugal. Essa decisão não foi fácil, para ele, mas no meu coração eu já sentia que era o momento certo para essa mudança em busca de novas oportunidades, tanto profissionais quanto pessoais, além de uma qualidade de vida diferente da que encontrava no Brasil, conversei com o meu esposo e escolhemos juntos a data, seria no mês do meu aniversário, passagens compradas para o dia 25 de outubro de 2024.


Começava aí a corrida para alugar o nosso apartamento no Rio de Janeiro, com agendamentos de visitas de clientes, retirada de pertences pessoais do imóvel, análise de documentação dos pretensos inquilinos, e no meio disso tudo, ainda tive uma viagem a São Paulo, Capital para um Congresso Internacional do Mercado Imobiliário (CIMI 360 2024), foi uma experiência incrível onde pude focar em fazer networking com empresas internacionais além das aulas do mestrado rolando de forma remota, compra de malas e o mais difícil escolher o que levar em apenas quatro malas, hora do desapego.


Enquanto eu viajava, minha filha Leticia buscava um novo imóvel para se mudar e, assim que retornei de SP, já agendamos a visita ao local escolhido. Fiquei mais tranquila ao ver que ela estaria próxima dos amigos da faculdade, que poderiam dar suporte em emergências. Convincente como a mãe, ela me convenceu, e logo fechamos a locação. Em uma semana, ela organizou a mudança, contratou um caminhão de frete e resolveu tudo. No dia da nossa partida para o aeroporto, a nova inquilina já entrava no nosso antigo apartamento, com vistoria acontecendo e diaristas organizando tudo em meio à correria—uma verdadeira loucura, mas eu faria tudo de novo!
Fui postando aos poucos nas redes sociais, e amigos e clientes começaram a interagir, muitos desejando sucesso nessa nova jornada, enquanto outros nem tanto, mas a vida é assim. Trabalhei por mais de duas décadas como corretora de imóveis de luxo no Rio de Janeiro e, no auge da minha carreira, decidi mudar de país. No Brasil, recém-formada e aprovada na OAB, eu e três amigos fundamos um escritório de advocacia, que já tinha demandas antes mesmo da formalização. Mesmo com minha mudança, oficializamos a sociedade, enxergando um desafio internacional e dando mais um passo em nossa trajetória profissional.
Entre livros e descobertas: A Jornada Acadêmica e o sonho do Mestrado Internacional na Universidade Portucalense.


No início da faculdade, eu já sonhava em fazer um mestrado, mas esse sonho parecia bem distante e quase impossível, o desejo de fazer uma especialização  após concluir a faculdade se tornou real, a ideia era uma pós graduação em Direito Imobiliário área que eu já atuava como corretora de imóveis, mas o destino me trouxe uma oportunidade única de cursar um mestrado internacional em Direito Administrativo Tributário na Universidade Portucalense em Portugal, na cidade do Porto.


O professor Pedro Barretto, fez uma divulgação em suas redes sociais, falando das últimas vagas para um mestrado em Portugal pela Universidade Portucalense e convidou os seus alunos a aceitar o desafio, foram questões de minutos e as 30 vagas disponibilizadas já estavam esgotadas e então, após as análises das documentações surgiram duas vagas de pessoas que não haviam sido aprovadas, então eu o contactei na mesma hora e disse que tinha interesse na vaga, recebi a lista de documentação necessária para a candidatura, enviei na mesma hora para análise, joguei para o Universo e aguardei,  eu a agarrei com unhas e dentes, mandei a minha documentação para a Universidade analisar a minha candidatura, e para a minha surpresa no dia seguinte já tive a resposta positiva de que tinha sido aprovada, foi um misto de emoções.


Sou muito grata a Deus por isso, pois creio que ele já estava nos planos Dele muito antes desse desejo brotar em meu coração. A mudança de país, não foi apenas uma estratégia de carreira, já era um sonho antigo, sempre desejei explorar novos horizontes, percebi que mudar para Portugal seria a porta de entrada para conhecer vinte e oito países da Europa, e também o lugar ideal para aprofundar meus estudos e expandir meus negócios em um ambiente internacional.



Conversas ao longo do Atlântico


Como mãe, a transição foi a mais desafiadora. Deixar minha única filha Letícia, de 24 anos, no Brasil sozinha foi a parte mais difícil dessa mudança. Letícia e eu sempre fomos muito próximas. Agora, ela segue sua própria trajetória profissional no Brasil, o que me enche de orgulho, mas também traz uma saudade constante. Apesar da distância, combinamos que manteremos nossos laços fortes com visitas frequentes e conversas diárias, usando a tecnologia para estarmos sempre conectados.
É sábado, dia dez de novembro de 2024, à tarde  em Viseu, por volta das 15h. Estou em casa deitada na cama da suíte, e resolvo ligar para a minha filha Leticia. Do outro lado, ela atende toda acelerada, dizendo que está no mercado perto do seu pequeno apartamento no Rio de Janeiro. O som do sorriso dela parece atravessar a tela e me dá uma sensação de alívio misturada com saudade.


— E aí, filha, como você está? — pergunto, tentando não parecer preocupada.
— Estou bem, mãe. Ontem saí com a turma da faculdade, voltamos tarde, mas foi divertido — ela responde, enquanto ajeita as compras no carrinho do supermercado. E como se eu conseguisse ver o brilho nos olhos dela, o mesmo que tinha quando era criança e voltava de uma festa cheia de histórias para contar.

— E como está sendo a experiência de morar sozinha? Está conseguindo se organizar, comer direito? — pergunto, sabendo que essa independência é um grande passo para ela.


— Estou, mãe. Está bem corrido por causa da faculdade e do meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), ainda não tive tempo de organizar a minha mudança, isso me deixa desconfortável em ver as minhas coisas fora do lugar, mas aos poucos vou conseguir, também consegui pedir a instalação da internet banda larga, agora já estou conectada vai ficar mais fácil pra fazer as minhas pesquisas.
Às vezes bate a solidão, especialmente quando chego em casa e está tudo silencioso. Sinto falta de chegar em casa e encontrar tudo arrumado, comida pronta, meu apartamento ainda está desorganizado, não consegui ainda , mas sei que vou conseguir organizar com o tempo. Mas, ao mesmo tempo, estou aprendendo tanto… Já estava acostumada a fazer compras, cuidar da casa, pagar as contas. Agora está um pouquinho diferente, mas estou me virando bem.
Sorrio, sentindo o orgulho crescer no peito. É difícil ver minha menina enfrentar isso tudo sozinha, mas sei que faz parte do crescimento dela.


— Eu sabia que você ia se sair bem, filha. Sempre soube. Você é forte, igual à sua mãe, risos  — digo, tentando ser leve, mas minhas palavras carregam toda a verdade do que sinto. Criar a Letícia sozinha foi uma das tarefas mais difíceis e gratificantes da minha vida.
Sinto que ela me olha com aquele sorriso que derrete meu coração e me pergunta:


— E você, mãe? Como está sendo essa nova vida em Portugal? Está saindo bastante? Está gostando dai?
Olho para o horizonte, pela janela da suíte de casa, e suspiro antes de responder.


— Está sendo incrível, mas desafiador também. No começo, me senti um pouco perdida. Passei tanto tempo no Rio de Janeiro, construindo minha vida, minha carreira e de repente me vi recomeçando. Mas Portugal tem seu charme, filha. As ruas de paralelepípedo, o clima frio agora no final do outono e início do inverno, com a temperatura variando entre seis e  dez graus praticamente todos os dias e de madrugada cai ainda mais chegando a 4 graus negativos, para quem saiu de uma temperatura de 40 graus no Rio de Janeiro, para o clima das montanhas, o que eu estou mais gostando e do clima, está me ajudando demais a dormir bem e a descansar, a comida aqui também é maravilhosa, em Portugal se come muito bem, tenho feito sopas no almoço e no jantar para nos aquecer acompanhada por uma taça de vinho tinto e isso tem me ajudado a relaxar bastante e dormir bem. Quando chegamos aqui nas duas primeiras semanas tivemos que nos hospedar em uma Pousada aqui perto de casa, até que pudéssemos resolver a parte burocrática, pedir a religação da energia elétrica, da água, do gás e instalar a internet, que foi a mais demorada, esperamos quinze dias. Agora que tudo já passou, estou me adaptando, e focando no mestrado, o bom desse mestrado é que é híbrido sendo setenta por cento das aulas on-line e trinta por cento presencial, possibilitando fazer a grande parte  de qualquer lugar, o que tem sido ótimo para mim. Ela me observa com atenção, e percebo que está absorvendo cada palavra.


— Imagino que não seja fácil, mãe. aqui também estou tentando focar nos estudos, tudo fecha muito cedo e como as minhas aulas são no período da manhã, saio da aula vou almoçar e  não estou conseguindo ir à biblioteca pesquisar, isso está me deixando um pouco ansiosa, mas vou me organizar nas próximas semanas, para fazer isso. Eu também não terminei de organizar o meu apartamento, e isso está me incomodando, mas logo isso vai se resolvendo.


— Ah, filha, a saudade é minha maior companheira. Sinto falta das nossas conversas ao ir dormir, das suas mensagens avisando que já estava chegando ou quando estava saindo da faculdade, das nossas idas ao cinema, passeios no Shopping. Mas, ao mesmo tempo, eu precisava disso. Precisava desse novo desafio, desse recomeço. Eu fiz isso também pensando em nós, para mostrar para você que a gente pode se reinventar em qualquer fase da vida.
Ela fica em silêncio por um momento, escutando como se tentasse absorver minhas palavras.


— Eu entendo, mãe. E sou muito grata por isso. Você sempre me ensinou a correr atrás do que acredito, mesmo que seja difícil. E, embora eu sinta muita saudade, fico feliz em ver você realizando esse sonho. Você merece.


Meus olhos se encheram de lágrimas e sorrio, tentando não deixar transparecer.


— Obrigada, filha. Isso significa muito para mim.
Ela então muda de assunto, tentando aliviar o clima.
— E quando você vem me visitar, mãe? O apartamento está precisando de uma inspeção da dona Luciana — diz, piscando para mim com aquela expressão marota que sempre teve.


Rimos juntas, e meu coração fica mais leve.



Primeiros passos, Desafios e Sonhos no início do Mestrado
Ao longo dos meses iniciais, mergulhei em temas complexos, que vão desde a interpretação das leis fiscais até a gestão pública. Meus professores e colegas rapidamente perceberam a minha dedicação e paixão pelo Direito, além das minhas características que me destacavam como uma das alunas mais comunicativas da turma.
Este mestrado é mais do que uma etapa acadêmica; é a confirmação de que o caminho percorrido até aqui, será cheio de desafios e superações, estou preparada para conquistar novos horizontes. E, com isso, continuarei a escrever a minha história, agora com capítulos que ultrapassaram fronteiras, fortalecendo ainda mais minha marca como uma mulher que nunca para de aprender, lutar e vencer.

Luciana conta com alegria que, após a escrita deste texto, já concluiu o seu primeiro ano de mestrado e a sua filha também já concluiu a faculdade.

Lançamento do livro Nossa voz tem Força, Valdiléia Marinho



Luciana‬‭ Costa‬‭ Oliveira‬‭ é Advogada‬‭ especialista‬‭ em‬‭ Direito‬‭ Imobiliário‬‭ e‬‭ Tributário‬‭ Internacional,‬‭ Corretora‬‭ de‬‭ Imóveis‬‭ com‬ décadas‬‭ de‬‭ experiência‬‭ no‬‭ mercado‬‭ de‬‭ Luxo,‬‭ Perita‬‭ Avaliadora,‬ Delegada‬‭ do‬‭ Conselho‬‭ Regional‬‭ dos‬‭ Corretores‬‭ de‬‭ Imóveis‬‭ do‬‭ Rio‬ de‬‭ Janeiro‬‭ -‬‭ RJ‬‭. CRECI/RJ,‬‭ Membro‬‭ das‬‭ Comissões‬‭ de‬‭ Direito‬‭ Imobiliário‬‭ da‬‭ Ordem‬‭ dos‬‭ Advogados‬‭ do‬‭ Brasil‬‭
‬‭OAB/RJ‬‭ e‬‭ do‬ CRECI/RJ.‬
‭ Instagram:‬‭ @lucianacostaoliveira | @mscr.advogados‬
‭ E-mail:‬‭ lucianacostaoliveira.adv@

Foto: Projeto Desafio a minha Voz, Luciana Costa Oliveira e Valdiléia Marinho. Outubro de 2024

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