
Maria Isabel Souza Dias da Cruz tem 27 anos, é autista nível dois de suporte com TDAH e jornalista, ilustradora, artista plástica e palestrante. Membra fundadora do Instituto Atravessamentos, atua como repórter da TV Inclusiva, cobrindo eventos sobre inclusão e diversidade. Graduada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá (2022), integra desde 2024 a Comissão dos Direitos dos Autistas e Familiares da OAB/RJ como consultora. Em 2025, expôs suas obras autorais no TJRJ, emocionando o público com sua estética singular. Especialista em UX Design e aluna da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, alia comunicação, tecnologia e arte como ferramentas de inclusão social. Tem facilidade com idiomas, grande afinidade com mídias digitais e é apaixonada por música, elementos que ampliam sua forma de expressão e conectividade. Também é voluntária em iniciativas esportivas e culturais, como a torcida inclusiva Autistas Flu e o projeto Estrela Solidária, que promove futebol adaptado para PCD.
Participou como painelista na 5a CNPM, trazendo a perspectiva em primeira pessoa sobre a urgência de políticas públicas para emprego apoiado de PCD, defendendo a criação de vagas personalizadas, com suporte contínuo e jornada adequada às necessidades individuais. Maria Isabel representa a potência da vida adulta atípica produtiva e autônoma, inspirando famílias e mostrando que inclusão verdadeira exige acesso ao trabalho digno. Em entrevista exclusiva, Maria conta sobre seu desempenho na faculdade e seu trabalho enquanto jornalista.
- Como é ser repórter da TV Inclusiva?
A TV Inclusiva é um projeto da jornalista Simone Braga, que sempre teve como
principal pauta a inclusão. O objetivo é dar voz a todas as pessoas com
deficiência que desejam ser repórter por um dia. Para mim, trabalhar como
repórter da TV Inclusiva é a oportunidade de exercer minha profissão dentro de
um projeto que respeita minhas questões sensoriais, o meu tempo e tem
paciência comigo e isso é fundamental para que eu possa trabalhar. É o que
chamamos de emprego apoiado. - Como foi seu desempenho na faculdade?
Eu sou autista nível 2 de suporte e tenho TDAH. Na universidade, algumas
disciplinas precisavam de adaptação e outras não. Minha mãe foi minha
mediadora em tempo integral, o que me ajudou a concluir o curso. Eu adorava
ir para as aulas e ter minha rotina de estudos. Meu TCC foi sobre os memes no
jornalismo, um tema inédito na época. - Dizem que o jornalismo ajuda autistas a socializarem melhor. Você nota uma
melhora na socialização?
Sim. O jornalismo me faz estar em contato com mais pessoas e situações
novas. Isso me ajuda a socializar, mas sempre respeitando meus limites. - Quais são seus maiores desafios sendo uma repórter autista?
O maior desafio é que muitas vezes as pessoas não entendem que o autismo
não é visível, mas está ali presente. Tenho dificuldades sensoriais com barulho,
cheiros, luzes e multidão e preciso de adaptações. Quem nos contrata precisa
respeitar a nossa neuro divergência, porque só assim vamos conseguir dar o
nosso melhor. - Diga algo para quem se inspira em sua história.
Eu sempre digo isso: Nunca desista dos seus sonhos, você pode ser quem
você quiser. Com apoio e acreditando em si mesmo, é possível chegar lá.
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