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Liberdade de expressão: a dúvida do brasileiro

Foto: Banco de imagens do Canva
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A liberdade de expressão é um dos pilares das sociedades democráticas, mas no Brasil ela frequentemente se encontra em um campo nebuloso, cercada por mal-entendidos, limites mal definidos e receios históricos.

O brasileiro, herdeiro de um passado autoritário e de censura, muitas vezes se vê dividido entre o direito de se expressar e o medo das consequências dessa expressão.

Desde o século XIX, autores como Machado de Assis já apontavam a dificuldade de se manifestar livremente em uma sociedade marcada pela hipocrisia e pelas aparências. Em obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado denuncia o controle social disfarçado de moralidade, algo que ainda ecoa nos dias atuais, em que o “politicamente correto” é, ao mesmo tempo, proteção e prisão.

No campo da filosofia, John Stuart Mill, em Sobre a Liberdade, afirma que “a única liberdade que merece esse nome é a de perseguir nosso próprio bem à nossa maneira”. Segundo ele, a livre expressão é essencial para o progresso, pois até mesmo ideias erradas contribuem para o fortalecimento da verdade, quando debatidas abertamente.

Entretanto, no Brasil contemporâneo, essa liberdade é frequentemente confundida com o direito de ofender ou de propagar desinformação.

Aqui surge a dúvida: até onde vai o meu direito de falar e onde começa o direito do outro de não ser ferido? O filósofo Immanuel Kant dizia que a liberdade deve estar sempre ligada ao respeito pela dignidade humana. Para ele, a ética é o limite natural da liberdade.

A polarização política recente acentuou essa crise. Redes sociais viraram palcos de linchamentos virtuais, cancelamentos e censura disfarçada de opinião.

Assim, o brasileiro vive um dilema: se cala por medo ou fala sem responsabilidade?

É urgente, portanto, um amadurecimento coletivo. A liberdade de expressão deve ser defendida, mas com consciência.

Como alertava Clarice Lispector, “liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”.

Talvez o que o brasileiro deseje não seja apenas a liberdade de dizer o que pensa, mas também a segurança de que será ouvido com respeito — e de que respeitará o outro em sua fala.

Possui graduação em Licenciatura em História pelo Centro Universitário Central Paulista (2005) – Unicep – São Carlos – SP, graduação em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano (2016) – Ceuclar – Campus de São José do Rio Preto – SP, Técnico em Comércio Exterior pelas Faculdades Eficaz, e atualmente cursa Serviços Jurídicos e Notoriais na Unimar. Escrevo regularmente para o site www.recantodasletras.com.br usando o pseudônimo ZACCAZ, mesclando poesia surrealista, com haikais e aldravias..Formado Especialista em Medina y Arte com ênfase em Gilles Deleuze e Equizoanálise onde é também pesquisador do Centro de Medicina y Arte de Rosário – Argentina, sendo o primeiro brasileiro a atuas nesse centro de pesquisa. Especialista em Ensino pela Ufscar, especialista em Psicopedagogia Institucional pela Fundepe – Unesp, Especialista em História da África pela Faculdade de Minas Gerais.

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