Você sabe da onde veio a expressão para inglês ver? Na primeira metade do século 19, a Inglaterra resolveu fazer pressão para a coroa brasileira abolir a escravidão pensando em seus interesses econômicos: para aumentar o consumo e melhorar a sua economia. O Brasil, por sua vez, via os escravizados como grande base para a economia. Para enganar a potência, o Império colocava navios no litoral com a suposta missão de ir atrás das naus negreiras. Entretanto, na prática, nada acontecia. Era uma encenação “para inglês ver”.
E qual era o intuito da Inglaterra? Será que a escravidão acabou?
Qual é o custo de contratar alguém para sempre pagando um salário mínimo? De forma direta, vamos responder a pergunta: Qual é o capital necessário hoje para pagar um salário mínimo indefinidamente, sem precisar explorar a pessoa eternamente? Usando a matemática simples, a ideia básica consiste em duas formas.
Exploração contínua
A pessoa trabalha todos os meses para pagar o próprio custo de vida, pagar juros de dívidas
e impedir que fique negativa. Isso é o que acontece com a maioria das pessoas.
Aqui, a pessoa é o ativo. O sistema depende do trabalho infinito dela.
Isso é o que podemos chamar de escravidão por juros positivos.
Capital que rende
Existe um capital inicial que gera rendimento mensal, paga o salário e não consome o principal.
Aqui, o capital trabalha. A pessoa não precisa ser explorada continuamente.
Essa é a única forma não escravizante.
Matemática simples
Salário mínimo (referência atual)
R$ 1.518 por mês;
R$ 18.216 por ano;
Taxa de juros – 100% do CDI, arredondando: 15% ao ano
A conta essencial explicada em português
Se um dinheiro rende 15% ao ano, isso significa que a cada R$ 100,00 aplicados, surgem R$ 15,00 por ano sem consumir o principal.
Então, a pergunta vira:
Quanto dinheiro é necessário para que 15% dele seja igual a R$ 18.216 por ano?
Fazendo a conta:
Resultado direto: com cerca de R$ 120 mil investidos a uma taxa real próxima de 15% ao ano,
é possível pagar um salário mínimo indefinidamente sem precisar explorar o trabalhador para sempre.
Esse é o valor econômico da libertação.
Quem não tem esses R$ 120 mil?
A maioria. Então, o que acontece?
A pessoa não vive do rendimento: ela vive do próprio trabalho
E muitas vezes paga juros, paga aluguel (juros do capital imobiliário), paga crédito e
paga financiamento. Ela está do lado devedor da equação.
Onde a escravidão por juros aparece?
Quando a pessoa não tem capital, precisa pegar crédito e sua renda cresce menos que os juros
Então isso quer dizer que, matematicamente, ela trabalha não para enriquecer, mas para não afundar.
Isso é a escravidão moderna. Sem correntes, sem dono visível, mas com juros compostos.
Concluindo de forma sincera
Juros positivos libertam quem já tem capital e escravizam quem só tem o próprio tempo.
E o cálculo prova isso: quem tem R$ 120 mil compra uma renda eterna e quem não tem vende a vida inteira mês a mês.
Formalmente, a escravidão terminou. Estruturalmente, a lógica permaneceu.
O chicote desapareceu, mas a dependência econômica continuou intacta. E o chicote tem nome: é o juros positivo.
A única economia que o humano tem valor infinito e indefinido como é almejado por qualquer política humanista é a de juros zero ou negativo.
Isso não é impossível: quanto é a taxa de juros da Dinamarca?
Os últimos dados mostram que a taxa de juros da Dinamarca permaneceu próximo de 1,6 com taxas de inflação próximas de zero ou, até mesmo, negativa.
Quanto valeria um brasileiro com a taxa de juros dinamarquesa?
1,215,000. O que é um valor muito maior do que um brasileiro com a taxa de juros brasileira, como nós explicamos acima. Tornando altamente lucrativo para um europeu que compraria um escravizado brasileiro. Este, por sua vez, trabalharia por tempo indeterminado para pagar essa dívida com taxa de juros indigna com o banco europeu.
Dessa forma percebemos que o atual sistema capitalista só mudou de nome: a escravidão para o endividamento com taxas abusivas. O aumento do salário mínimo é importante, porém, não é a forma mais eficaz de aumentar o valor da vida de um brasileiro. Lutar contra o abuso das taxas de juros é a forma mais eficaz. Cada brasileiro pode contribuir com isso evitando o endividamento e entendendo como essa taxa de juros tão repercutida na mídia de fato coloca preço em seres humanos.
O que mais podemos fazer?
A compreensão de como a taxa de juros nos afeta e como o endividamento cria um sistema escravocrata ainda pior do que o que já existia nesse país e ainda mais perverso, exatamente por não ser explícito e o escravizado sai ainda mais barato que anteriormente.
A compreensão sobre investimentos e lutar de todas as formas pelo acúmulo de capital, investir esse dinheiro pensando nisso como a compra de sua carta de alforria, votar melhor e entender como as decisões econômicos que os políticos tomam impactam diretamente no valor da vida humana.
Compreender que:
Um sistema onde a taxa de juros é baixíssima ou zero, independente da riqueza de uma família, todas as pessoas serão obrigadas eventualmente obrigadas a trabalhar para sempre conseguir mais dinheiro, pois o capital não aumenta muito por si só e é necessário o trabalho para a sobrevivência, colocando um cronômetro no relógio da realeza que ainda atravessa gerações.





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