A infraestrutura estratégica, o aumento da eficiência dos modelos e a corrida geopolítica pela liderança em IA estão entre as tendência listadas pela especialista Victoria Luz
A inteligência artificial deixou de ser um tema experimental para se tornar um dos principais vetores de transformação econômica, organizacional e geopolítica. À medida que 2026 inicia, relatórios produzidos por instituições de referência, como o Stanford Institute for Human-Centered AI, a Harvard Business Review e organismos multilaterais, apontam para uma nova fase da IA, marcada por escala, autonomia, impactos estruturais no trabalho e crescente pressão regulatória.
Com base exclusivamente em dados primários, relatórios institucionais e publicações acadêmicas e empresariais de alta credibilidade, Victoria Luz, especialista em IA aplicada aos negócios, lista as principais tendências de IA para 2026. Confira:
1. A IA deixa a fase experimental e se torna infraestrutura estratégica
A principal mudança estrutural observada nos últimos anos é a consolidação da IA como parte da infraestrutura central das organizações. De acordo com o Stanford AI Index Report 2025, o percentual de empresas que utilizam inteligência artificial em ao menos uma função de negócio cresceu de 55%, em 2023, para 78%, em 2024, indicando que a maioria das organizações já ultrapassou a fase de testes pontuais e passou a incorporar IA em processos críticos.
Esse movimento indica que, em 2026, a discussão deixará de ser “se” a empresa deve usar IA e passará a ser “como” escalar, governar e extrair valor sustentável dessas aplicações.
2. Queda acelerada de custos e aumento da eficiência dos modelos
Outro vetor fundamental para 2026 é o avanço técnico que está tornando a IA significativamente mais acessível. Segundo o Stanford AI Index Report 2025, o custo de inferência de modelos de linguagem caiu de forma dramática. Executar tarefas equivalentes às do GPT-3.5 custava cerca de US$ 20 por milhão de tokens em 2022, enquanto modelos comparáveis passaram a custar aproximadamente US$ 0,07 por milhão de tokens em 2024.
Esse ganho de eficiência viabiliza o uso de IA em larga escala, inclusive por pequenas e médias empresas, e reduz a dependência de investimentos extremamente elevados em infraestrutura computacional.
3. A corrida geopolítica pela liderança em IA se intensifica
A IA tornou-se um ativo estratégico para Estados nacionais, influenciando políticas industriais, cadeias de suprimento e segurança nacional. De acordo com o Stanford AI Index Report 2025, os Estados Unidos ainda lideram em número de modelos de ponta desenvolvidos, mas a China vem reduzindo rapidamente essa diferença. O relatório aponta que instituições chinesas já superam as norte-americanas em volume de publicações científicas e registros de patentes em IA.
Esse cenário indica que, em 2026, a IA continuará no centro das disputas geopolíticas, com impactos diretos sobre regulação, exportação de hardware avançado, controle de dados e investimentos estratégicos.
4. Avanço da IA autônoma e de agentes inteligentes
Os sistemas de IA estão evoluindo de ferramentas de suporte para agentes capazes de executar tarefas de forma semi-autônoma ou autônoma. Análises compiladas no Stanford AI Index Report 2025 apontam que há um crescimento consistente no uso de sistemas de automação avançada e agentes inteligentes capazes de tomar decisões baseadas em objetivos, contexto e aprendizado contínuo.
A tendência para 2026 é que esses agentes assumam funções mais complexas, como coordenação de processos internos, atendimento ao cliente de ponta a ponta e automação de fluxos operacionais, o que exige novos modelos de governança e supervisão humana.
5. Transformação estrutural do trabalho e das competências
O impacto da IA sobre o trabalho será um dos temas centrais de 2026. Mais de 40% das habilidades atualmente demandadas no mercado devem mudar até o final da década, impulsionadas principalmente por automação e IA, conforme dados do World Economic Forum. Ao mesmo tempo, surgem novas funções relacionadas à integração, governança e uso estratégico da inteligência artificial.
Os relatórios indicam que o desafio não será apenas tecnológico, mas organizacional e educacional, exigindo requalificação contínua da força de trabalho e novos modelos de gestão.
6. Expansão da IA na saúde com validação clínica crescente
A saúde é um dos setores onde a IA apresenta maior impacto prático. Um levantamento do Stanford AI Index Report 2025 mostra que o número de dispositivos médicos habilitados por IA aprovados por órgãos reguladores cresceu de forma consistente, ultrapassando 200 dispositivos aprovados nos Estados Unidos até 2023.
Em 2026, a tendência é que a IA esteja integrada a diagnósticos por imagem, triagem clínica, gestão hospitalar e descoberta de medicamentos, com maior rigor científico e validação regulatória.
7. Aumento dos riscos, incidentes e pressão regulatória
O crescimento acelerado da IA vem acompanhado de riscos igualmente crescentes. De acordo com o Stanford AI Index Report 2025, o número de incidentes documentados envolvendo falhas ou usos indevidos de sistemas de IA atingiu um recorde histórico, com crescimento anual superior a 50%.
Esse cenário tem impulsionado governos e organismos reguladores a acelerar a criação de leis, diretrizes e estruturas de governança. Em 2026, espera-se um ambiente regulatório mais rigoroso, especialmente na União Europeia, nos Estados Unidos e em economias asiáticas.
8. Infraestrutura de IA e desafios de sustentabilidade
A expansão da IA exige uma infraestrutura computacional robusta e altamente energética. Dados consolidados pelo Stanford AI Index e por estudos acadêmicos citados no relatório apontam que data centers especializados em IA estão entre os maiores consumidores de energia elétrica, levantando preocupações ambientais e econômicas.
A tendência para 2026 é o desenvolvimento de modelos mais eficientes, otimização de hardware e maior investimento em fontes de energia limpa para sustentar o crescimento da IA de forma responsável.
9. IA onipresente e cada vez mais invisível
À medida que a IA se integra a produtos, serviços e processos, ela se torna menos perceptível ao usuário final. Segundo análises institucionais reunidas pelo Stanford AI Index, a IA está deixando de ser um diferencial visível para se tornar parte do funcionamento padrão de sistemas digitais, desde mecanismos de recomendação até automação de serviços públicos.
Esse cenário reforça a necessidade de transparência, explicabilidade e educação da sociedade sobre como decisões automatizadas são tomadas.
Para Victoria Luz, a conclusão é que, em 2026, a inteligência artificial será caracterizada por três grandes eixos:
1. Escala e integração total nos negócios
2. Avanço técnico com redução de custos
3. Crescente necessidade de governança, ética e regulação
“As evidências reunidas por instituições como o Stanford Institute for Human-Centered AI, o World Economic Forum e publicações acadêmicas indicam que o sucesso com IA não dependerá apenas de tecnologia, mas da capacidade das organizações e dos governos de alinhar inovação, pessoas e responsabilidade”, conclui Victoria.

